terça-feira, 27 de novembro de 2012

CANTO E MÚSICA NA LITURGIA



 Uma celebração sem canto é considerada uma celebração “morta”, “apagada”, “desanimada”. O canto, ao contrario anima, desperta, dá vida. Além disso, tem o poder de unir as pessoas: juntando a nossa voz a voz dos irmãos e das irmãs, ao ritmo de instrumentos, vai se criando em nós uma abertura e uma consciência maior de pertencermos uns aos outros. Também a nossa relação com o Senhor é facilitada pelo canto; a nossa oração se torna mais profunda, mais fervorosa.
*       Ef 5,18-20: fala da associação do canto com o Espírito Santo.
O Espírito Santo que é sopro, vento suscita em nós o “som”, a “vibração” correta que nos faz sentir e pensar em uníssono1 com o próprio Deus, criador de todas as coisas.  Suscita em nós a alegria, o louvor, e a ação de graças, a compulsão e a entrega. Suscita em nós a experiência do infalível Mistério de Deus. Suscita em nós o amor.
*       “Cantar é próprio de quem ama”. (Santo Agostinho)  
Há pelo menos duas condições para que o canto na liturgia possa de fato ser mediação, vinculo do Espírito:
1.      Não podemos encarar a música na liturgia com “divertimento para tornar-la mais leve mais agradável, mais movimentada. Devemos cantar e tocar “no Espírito”, abrindo-nos à ação de Deus que vem nos transformar também através do canto fazendo de nós adoradores do Pai em Espírito e verdade.
2.      O canto na celebração deve ser um ato de fé, gesto de amor. Não devemos cantar de maneira rotineira, inconsciente, superficial. Devemos cantar com todo o nosso ser, ou melhor, tomando consciência do que estou cantando.

Música: cantando um cântico novo
Pontos básicos para música na liturgia:
·         O que caracteriza a música litúrgica?
·         Qual é afinal sua função e seu objetivo?
·         Qualquer tipo de música serve?
·         Quem deve cantar?
·         Qual é o papel dos instrumentos musicais e sua relação com a voz?

*       Cl 3,16 e At 2,46 – portanto, dê-se grande valor ao uso do canto na celebração da Missa, tendo em vista a índole dos povos e as possibilidades de cada assembléia litúrgica. Ainda que não seja necessário cantar sempre todos os textos de per si destinados ao canto, por exemplo, nas Missas dos dias de semana, deve-se zelar para que não falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações dos domingos e festas de preceito.
*       A música é a alma da liturgia

‘Ministérios’ litúrgicos - musicais
*       Compositores: conheçam profundamente a função ministerial de cada canto na ação litúrgica e traduzam numa linguagem poética, mística, orante e performativa... Os textos e melodias destinados a cada momento da celebração litúrgica;
*       Instrumentistas: utilizem seus instrumentos musicais para sustentar e nunca se sobrepor ao canto dos fieis;
*       Animadores: sustem o canto da assembléia sem jamais lançar mão desta função para dar “show”, ou seja: chamar a atenção sobre si próprio (a) ;
*       Salmistas: jamais deveram substituir o Salmo responsarial por outro canto. Se, porventura, não puderem canto-lo, que recitem com o refrão do povo.
*       Cantores ou corais: desempenhem sua função sem jamais monopolizar o canto durante toda a celebração.


Fontes: Liturgia em mutirão CNBB – pags. 192-199
IGMR (Introdução Geral do Missal Romano)
IL (Introdução ao Lecionário)

domingo, 25 de novembro de 2012

Bento XVI inagura o Ano da Fé: redescobrir a alegria de crer ante “desertificação” espiritual do mundo

 
Vaticano, 11 Out. 12 - Recordando os cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II, o evento eclesial mais importante do Século XX, o Papa Bento XVI inaugurou com uma multitudinaria Eucaristia na Praça de São Pedro na manhã deste 11 de outubro o Ano da Fé, convocado com o objetivo de promover a Nova Evangelização.

Bento XVI presidu a Missa com um total de 400 concelebrantes: 80 cardeais, 14 padres conciliares ainda vivos, 8 patriarcas de Igrejas orientais, 191 arcebispos e bispos participantes do XIII Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização e 104 Presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo, incluindo o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB. Estavam também presentes na celebração o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I e o Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams.

Segundo a nota publicada hoje pela Rádio Vaticano, o Papa iniciou sua homilia explicando que a celebração desta manhã foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, recordando a memorável entrada solene dos padres conciliares nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia do que fora utilizado durante o Concílio; e a entrega, no final da celebração, das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.

“O Ano da fé que estamos inaugurando hoje está ligado coerentemente com todo o caminho da Igreja ao longo dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus Paulo VI, que proclamou um "Ano da Fé", em 1967, até chegar ao o Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e sempre”, recordou Bento XVI na homilia da Missa.

Bento XVI evocou também o Beato João XXIII no Discurso de Abertura do Concílio Vaticano II, quando apresentou sua finalidade principal: “que o depósito sagrado da doutrina cristã fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz”.

Embora o Concílio Vaticano II – observou o Papa - não tenha tratado da fé como tema de um documento específico, no entanto, esteve todo ele inteiramente animado pela consciência e pelo desejo de, por assim dizer, imergir mais uma vez no mistério cristão, para o poder propor de novo e eficazmente para o homem contemporâneo. Como dizia Paulo VI, dois anos depois da conclusão do Concílio: “Se o Concílio não trata expressamente da fé, fala da fé a cada página, reconhece o seu caráter vital e sobrenatural, pressupõe-na íntegra e forte, e estrutura as suas doutrinas tendo a fé por alicerce”

Bento XVI recordou que ele mesmo teve ocasião de experimentar que “durante o Concílio havia uma emocionante tensão em relação à tarefa comum de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no hoje do nosso tempo, sem a sacrificar às exigências do tempo presente, mas também sem a manter presa ao passado”.

“Na fé ecoa o eterno presente de Deus, que transcende o tempo, mas que só pode ser acolhida no nosso hoje, que não torna a repetir-se. Por isso, julgo que a coisa mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a presente, seja reavivar em toda a Igreja aquela tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo”, afirmou o Papa.

O mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a atual –observou Bento XVI- é reavivar na Igreja “aquela mesma tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, sempre apoiado na base concreta e precisa, que são os documentos do Concílio Vaticano II”.

“A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança”, esclareceu.

De fato – prosseguiu o Pontífice – “se a Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar honras, mas porque é necessário, mais ainda do que há 50 anos!”.

“Nas últimas décadas, observamos o avanço de uma "desertificação" espiritual, mas, no entanto, é precisamente a partir da experiência deste vazio que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus, que liberta do pessimismo”, asseverou.

Na conclusão da homilia o Papa afirmou que este ano da Fé pode ser representado como "uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão - mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos".

“Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo Paulo: ‘A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria... Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças a Deus Pai’”, finalizou.